Itaúna, quarta-feira, 29 de maio de 2013 às 13:43:39

Em tempos de guerra, apenas flores para saúde

Depois de ser lírico ao escrever sobre o

violino do meu vizinho Roberto, tenho que envenenar minha

caneta para comentar e cobrar o que

eu, infelizmente presenciei na porta do

Hospital Manoel Gonçalves que estava lotado

de pessoas para serem atendidas e esperavam

por triagens e mais triagens.

Estava acompanhando uma pessoa enferma

que já estava encaminhada para o internamento

pelo Dr. Marcelo

Você acha que foi fácil chegar lá dentro?

Mas deixando as coisas e defesas pessoais

Vamos falar do geral.

Em primeiro lugar quero deixar bem claro que fui

muito bem atendido por todos os funcionários do Plantão

e do Hospital.

Pessoas que tentam fazer milagres e atender uma multidão

de abandonados pelo Estado,

leia-se Governo Federal, Estadual e Municipal

A porta do Plantão Hospitalar me pareceu

um campo de guerra, com os corredores cheios de macas e moribundos feridos sem maiores compaixões

Apenas um clinico e um cirurgião, poucas enfermeiras

porteiros e moças preenchendo fichas no computador

Sobra tecnologia impressa e falta médico

Também faltam enfermeiros, faltam leitos,

faltam medicamentos básicos

Na mesma sala uma “criança de colo” aos prantos

com febre,

do outro lado alguém olhando feridas abertas

Na mesma sala

um rapaz na parede chorando com cólicas

Essas pessoas já eram

privilegiadas pelo duro destino

 

conseguiram “um lugar ao sol” no inferno de Dante

Mas ainda uma centena de gente aguardava do lado de fora

Liguei para um vereador e comentei o que estava se passando

Fotografei, mas não tive coragem de filmar a dor alheia

da qual eu também fazia parte como coadjuvante

O que fazer?

Quanto tempo ainda vamos ter que aguardar?

Quantos ainda vão ter de morrer?

Alguns dias antes de ver esse campo de guerra

pude ver uma linda exposição de orquídeas

uma pena a saúde publica não ser tratada assim

com tanta delicadeza e investimentos reais

Pois é,

respeito muito a Secretária de Saúde,

mas não posso deixar de cobrar, é minha função, dever e prazer cobrar

da secretária, do prefeito, dos vereadores e dos deputados

Porque nada é mais importante do que a saúde,

nem a vinda de Secretários de Estado,

nem o passeio de deputados estaduais no trevo

A responsabilidade da saúde publica é do Estado

segundo as próprias palavras da secretária

Uma sugestão para o próximo governo itinerante

leve 10 médicos para atender a população

com certeza o povo vai agradecer muito mais

Um povo doente não consegue enxergar as flores,

nem brincar de pula-pula com os secretários

ou vereadores municipais.

 

Fuiiiiii!!!

Guto Terranova

Guto Terranova

GUTTO TERRANOVA é diretor de Produção Cultural com registro 3933 no SATED (Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculo de Diversões do Estado de Minas Gerais). Foi Diretor de Atividades Culturais da Prefeitura de Itaúna por oito anos. Trabalhou e colaborou em diversos orgãos da imprensa itaunense, foi ganhador de dois concursos literários na decada de 80, atuou como músico em Itaúna , BH e região durante os últimos 25 anos. Produziu e escreveu para artistas como Saulo Laranjeira e Kaquinho Big Dog, Geraldo Azevedo. Escreve a Coluna Olho Indiscreto no Jornal Integração há mais de 18 anos.

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