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Vice-Prefeito tem salário suspenso e vereadores e partidos políticos pedem informações sobre ausência dele por mais de15 dias sem justificativa. Caso é de cassação de mandato.

O vice-prefeito de Itaúna, Hidelbrando Canabrava Rodrigues Neto (PL), teve o salário suspenso pela prefeitura nesta terça-feira 7/10, após permanecer fora da cidade desde 15 de setembro, quando viajou para os Estados Unidos, dois dias antes da deflagração da Operação Rejeito, em 17 de setembro.

A ação da Polícia Federal (PF) incluiu um pedido de prisão preventiva contra ele. Desde então, Hidelbrando não retornou a Itaúna.

A operação apura um esquema de fraude em licenciamento ambiental para empresas de mineração, e o vice-prefeito é investigado por organização criminosa, corrupção ativa, lavagem de dinheiro e possível crime ambiental.

Diante da ausência não comunicada do vice-prefeito, a Prefeitura de Itaúna anunciou a suspensão do pagamento do subsídio mensal de Neto. A medida, segundo nota oficial, tem caráter preventivo e cautelar e passa a valer a partir de 1º de outubro de 2025.

“De acordo com a apuração realizada, o vice-prefeito encontra-se ausente desde o dia 15 de setembro de 2025, sem a apresentação de comunicação oficial à Administração Pública sobre sua previsão de retorno. Essa ausência prolongada, como é público, impede o exercício regular das funções públicas que lhe são atribuídas por força do cargo eletivo que ocupa.”

A data de 1º de outubro marca o fim do prazo de 15 dias previsto pela Lei Orgânica do Município, que permite ao vice-prefeito ausentar-se da cidade ou do país sem autorização da Câmara Municipal.

“Tal providência visa assegurar a correta aplicação dos recursos públicos e o cumprimento dos deveres funcionais por parte dos agentes políticos, em respeito à confiança da população e aos valores que regem a Administração Pública”

prefeitura também ressaltou que o caso “trata-se de um processo investigativo” e que Hidelbrando “possui seu direito de defesa e contraditório, o que será respeitado”.

Nota divulgada pela Prefeitura de Itaúna nesta terça-feira 7/10 – Foto Divulgação PMI

Conforme apurado por O TEMPO, a administração municipal acredita que o vice-prefeito continua fora do país. Ele estaria sem se comunicar com os membros do Executivo desde a semana da Operação Rejeito. Além disso, apagou todas as publicações no Instagram.

Com o pedido de prisão em aberto, Neto poderia ser preso pela Polícia Federal assim que passasse pela imigração em um aeroporto no Brasil. Procurada pela reportagem, a PF afirmou que não se manifesta sobre investigações em andamento.

sigla do vice-prefeito, o Partido Liberal (PL), foi procurada, mas não se pronunciou sobre o caso até a publicação desta matéria. O espaço segue aberto.

Vereadores não pediram cassação

Até o momento, nenhum vereador protocolou um pedido de cassação contra o vice-prefeito. Após ter sido procurada pela imprensa, a Câmara Municipal lançou uma nota na sexta-feira (4/10) afirmando que a solicitação caberia a um cidadão.

“O dispositivo estabelece que qualquer procedimento dessa natureza somente pode ser iniciado a partir da formalização de uma denúncia por escrito, devidamente assinada por cidadão. Portanto, a Câmara ressalta que não existe possibilidade de ofício por parte do Poder Legislativo Municipal”.

A instituição cita o dispositivo do 1º do artigo 85 da Lei Orgânica do Município. Na legislação, é dito que a denúncia de “infrações político-administrativas do Chefe do Executivo, sujeitas a julgamento pela Câmara e à punição de perda de mandato” deve ser feita por escrito e assinada com exposição dos fatos e a indicação das provas e “pode ser feita por qualquer cidadão”.

Consultado pela reportagem, o advogado Bernardo Pessoa, especialista em Direito Público, afirmou que a lei orgânica reproduz o decreto-lei 201 de 1967, e que o procedimento de cassação pode ser iniciado por um vereador ou outra pessoa sem cargo político. “O processo legal é iniciado por denúncia escrita de qualquer cidadão, seja de vereador ou qualquer outro”.

“Se algum vereador o fizer, vai ficar impedido de votar no julgamento e será convocado o suplente do vereador impedido de votar”, esclareceu.

Investigado viajou aos EUA

Segundo apurado pela reportagem na época do pedido de prisão, o vice-prefeito tinha viajado aos EUA em 15 de setembro para participar de um congresso sem vínculo institucional com a administração municipal. Segundo um interlocutor, o afastamento para a viagem foi solicitado cerca de 10 dias antes. No dia anterior da operação, ele fez uma publicação dentro de um voo internacional.

Procurada na época, a assessoria da administração municipal afirmou não ter “conhecimento de participação do vice-prefeito em congresso nos Estados Unidos”, e afastaram que a viagem teria relação com a prefeitura: “esclarecemos ainda que não existe agenda oficial do Município ou da gestão municipal vinculada a evento ou congresso internacional neste período”.

No dia seguinte do pedido de prisão, a prefeitura exonerou Neto do cargo de secretário do Meio Ambiente, que acumulava junto com o de vice-prefeito. As investigações tratam de fraudes no âmbito ambiental.

A administração municipal disse na época que os fatos investigados “não guardam qualquer relação” com o exercício de Hidelbrando de suas funções públicas municipais, seja como vice-prefeito, seja como titular da referida pasta. “Trata-se, conforme amplamente divulgado, de investigação de natureza pessoal, alheia à administração pública municipal”.

Pedido de prisão e investigação

Conforme representação criminal da Polícia Federal à qual O TEMPO teve acesso, Hildebrando supostamente atuava no nível operacional de uma organização criminosa que utilizava possíveis empresas de fachada no setor de mineração.

Entre os integrantes, está Gilberto Henrique Horta de Carvalho, também filiado ao PL e próximo das principais figuras do partido em Minas, que até 15 dias antes da operação estava lotado no gabinete do vereador Uner Augusto (PL), em Belo Horizonte. Gilberto é apontado como provável articulador externo e responsável pela operacionalização financeira e era sócio de algumas empresas com o vice-prefeito.

Hildebrando é de uma família de políticos. Ele é filho de Gláucia Santiago (PL), ex-vice-prefeita de Itaúna. Ela se candidatou a deputada federal em 2022 e ficou como suplente, mas chegou a assumir uma cadeira na Câmara dos Deputados quando Cabo Junio (PL) se candidatou, sem sucesso, à Prefeitura de Contagem, na Grande BH.

investigado também é neto de Hidelbrando Canabrava Rodrigues, deputado estadual e prefeito de Itaúna por dois mandatos. Seu tio, José Humberto Santiago Rodrigues, cujo nome de urna é Beto do Bandinho (PL), é vereador na cidade.

De acordo com a apuração da PF, Hildebrando participava ativamente de um grupo de WhatsApp usado para tratar de atividades ilícitas, era sócio da BRAVA Mineração e aparece em conversas interceptadas como articulador de ato de corrupção.

Justiça Federal determinou o sequestro e a indisponibilidade de todos os bens imóveis, a apreensão, arresto e sequestro de veículo do vice-prefeito via Renajud (Restrições Judiciais Sobre Veículos Automotores), além da suspensão das atividades da empresa BRAVA.

*Por O Tempo

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