Política

Câmara nomeia Comissão Processante atendendo denúncia contra o vice-Prefeito Hidelbrando Neto

A Mesa Diretora da Câmara acatou a denúncia de representantes dos partidos de esquerda PSOL, PT e Unidade Popular contra a ausência do vice-prefeito Hidelbrando Neto por mais de 15 dias, sem autorização do Legislativo, após o político ter a prisão preventiva decretada durante a Operação Rejeito da Polícia Federal. Colocada para votação do plenário, com dez votos favoráveis foi aprovada a denúncia e o Presidente da Mesa, vereador Antônio de Miranda passou a fazer o sorteio dos componentes da Comissão Processante que vai analisar o caso e dar ampla defesa ao acusado.

Abstiveram-se de votar os vereadores Alexandre Campos, Guilherme Rocha, Rosse Andrade Wenderson e Leo Alves. O vereador Beto, que é tio do acusado, votou contra.

Beto foi convidado para fazer o sorteio da Comissão e os nomes dos vereadores foram lidos, um a um, antes de ser colocados na caixa escrutinadora. Foram sorteados os vereadores Márcia Cristina, Leo Alves e o próprio Beto do Bandinho. Devido ao parentesco de Beto com o acusado, foi realizada nova votação, definindo-se , então, os vereadores Guilherme Rocha, Gustavo Dornas e Dalminho Assis como integrantes da Comissão. Depois de breve intervalo foi definido o vereador Gustavo como presidente, vereador Dalminho como relator e Guilherme Rocha como membro.

A Comissão Processante tem cinco dias para marcar o início dos trabalhos.

Questões de Ordem

Após lida a denúncia dos representes dos partidos políticos, o vereador Alexandre Campos pediu questão de ordem alegando que o artigo que eles invocaram, o 201/67 não era superior ao Regimento Interno e a Lei Orgânica da Câmara que só previam o tiro processual para o caso de Prefeito.

Já o vereador Kaio Guimarães defendeu a legalidade no caso de aplicação do artigo 201/67.

Como presidente da Mesa Diretora, Toinzinho anunciou que estas questões de ordem podiam ser analisadas pela Comissão Processante.

Denúncia aceita pela câmara 

A denúncia é fundamentada pela ausência do vice-prefeito do cargo há mais de 15 dias – Foto Viu Itauna

Vice-prefeito tem salário suspenso

A operação apura um esquema de fraude em licenciamento ambiental – Foto Divulgação

O vice-prefeito Hidelbrando Neto (PL), teve o salário suspenso pela prefeitura no dia 7/10, após permanecer fora da cidade desde 15 de setembro, quando viajou para os Estados Unidos, dois dias antes da deflagração da Operação Rejeito, em 17 de setembro.

A ação da PF incluiu um pedido de prisão preventiva contra ele. Desde então, Hidelbrando não retornou a Itaúna.

A operação apura um esquema de fraude em licenciamento ambiental para empresas de mineração, e o vice-prefeito é investigado por organização criminosa, corrupção ativa, lavagem de dinheiro e possível crime ambiental.

Diante da ausência não comunicada do vice-prefeito, a Prefeitura de Itaúna anunciou a suspensão do pagamento do subsídio mensal de Neto.

A medida, segundo nota oficial, tem caráter preventivo e cautelar e passa a valer a partir de 1º de outubro de 2025.

Investigado viajou aos EUA

Segundo apurado, na época do pedido de prisão, o vice-prefeito tinha viajado aos EUA em 15 de setembro para participar de um congresso sem vínculo institucional com a administração municipal.

Conforme um interlocutor, o afastamento para a viagem foi solicitado cerca de 10 dias antes.

No dia anterior da operação, ele fez uma publicação dentro de um voo internacional.

Família de políticos

Hildebrando é de uma família de políticos. Ele é filho de Gláucia Santiago (PL), ex-vice-prefeita de Itaúna.

O investigado também é neto de Hidelbrando Canabrava Rodrigues, deputado estadual e prefeito de Itaúna por dois mandatos. Seu tio, José Humberto Santiago Rodrigues, cujo nome de urna é Beto do Bandinho (PL), é vereador na cidade.

De acordo com a apuração da PF, Hildebrando participava ativamente de um grupo de WhatsApp usado para tratar de atividades ilícitas, era sócio da BRAVA Mineração e aparece em conversas interceptadas como articulador de ato de corrupção.

Justiça Federal determinou o sequestro e a indisponibilidade de todos os bens imóveis, a apreensão, arresto e sequestro de veículo do vice-prefeito via Renajud (Restrições Judiciais Sobre Veículos Automotores), além da suspensão das atividades da empresa BRAVA.

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