Política

Deputada Lohanna pede retirada de projeto que tenta transferir a UEMG para a União

A deputada estadual Lohanna (PV) fez, na segunda-feira (01/07), um pedido público de retirada do Projeto de Lei 3.738/2024, que autoriza o governo de Minas Gerais a transferir para a União a gestão e o patrimônio da Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG). A declaração foi feita durante audiência pública da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), que reuniu mais de 500 membros da comunidade acadêmica de diversas cidades do estado.

O projeto, de autoria do Executivo, prevê a federalização da UEMG como forma de amortização da dívida do Estado no âmbito da Lei Complementar Federal 212/2025. No entanto, o próprio governo federal já manifestou dia 6 de Junho que não tem interesse em assumir a instituição, tornando o projeto inaplicável.

“Estou fazendo um pedido público de retirada do projeto de pauta. A União já disse que não vai aceitar a UEMG. Não cabe mais esse projeto. Não existe eu passar um carro pro seu nome se você não quer o carro — quanto mais uma universidade. Não faz o menor sentido”, afirmou Lohanna.

A audiência contou com a presença dos secretários de Estado Sílvia Listgarten (Planejamento), Igor Icassati (Educação) e Luiz Claudio Gomes (Fazenda), que ouviram críticas de parlamentares da oposição e da base governista. Diversos deputados se manifestaram contra a proposta, que tem sido chamada de “tentativa de rifar a universidade”.

Além do PL 3.738, a deputada também denunciou o conteúdo do PL 3.733/2024, que autoriza a alienação onerosa de imóveis da UEMG com até 45% de desconto. Segundo Lohanna, a medida abre espaço para o desmonte da estrutura da universidade e favorece um caminho de privatização. “Se entregarem os prédios de Divinópolis, de Passos, de Frutal… Onde esse povo vai ter aula? Na loja Zema?”, questionou.

A parlamentar lembrou que a UEMG presta serviços essenciais para o Estado e municípios, como formação de estagiários, apoio técnico em políticas públicas e capacitação de profissionais. “A Prefeitura tem que fazer plano diretor? Corre pra UEMG. Precisa de treinamento para profissionais de saúde? Vai na UEMG. Mas, na hora de defender, querem rifar a universidade? Isso é um desrespeito”, disse.

Por fim, Lohanna cobrou coerência do próprio corpo técnico do governo, formado por especialistas em políticas públicas da Fundação João Pinheiro. “Se esse projeto é tão bom, por que não colocaram a Fundação João Pinheiro na lista? Porque estão defendendo a casa deles. E estão certos. Eu defendo também. Mas eu também defendo a UEMG, a Unimontes, a educação pública de Minas Gerais.”

A deputada reiterou que a retirada do projeto de pauta é urgente, considerando que a proposta já não encontra respaldo nem jurídico nem político. Ela também informou que enviará requerimentos formais ao governo, pedindo esclarecimentos sobre os impactos da proposta e o futuro da universidade.

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