Policial

Polícia Civil indicia sete médicos por homicídio culposo de jovem de 14 anos

Jovem de 14 anos faleceu em decorrência de choque séptico por apendicite aguda; investigação apontou sucessivas falhas e demora no diagnóstico correto.

A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) concluiu o inquérito policial que investigava as circunstâncias da trágica morte de uma adolescente, ocorrida no dia 25 de novembro de 2025, em uma unidade hospitalar no município de Itaúna, na região Centro-Oeste do estado. Ao término dos trabalhos investigativos, sete médicos que prestaram atendimento à jovem foram formalmente indiciados pelo crime de homicídio culposo quando não há a intenção de matar, mas há negligência, imprudência ou imperícia.

Erro de diagnóstico e idas consecutivas ao hospital
De acordo com os levantamentos da equipe de polícia judiciária, a saga da paciente começou no dia 20 de novembro de 2025, quando ela procurou socorro médico pela primeira vez queixando-se de dores abdominais intensas. Naquela ocasião, os profissionais plantonistas diagnosticaram o caso como gastroenterite viral e deram alta para a adolescente, sem solicitar nenhum tipo de exame complementar ou de imagem.
Nos dias subsequentes, diante da persistência e do agravamento severo dos sintomas, a jovem retornou ao hospital por mais quatro vezes, sendo assistida por diferentes médicos do corpo clínico. Contudo, a PCMG constatou que o diagnóstico inicial equivocado foi mantido de forma superficial por todos os profissionais que a avaliaram, ignorando a clara evolução clínica negativa do quadro da paciente.

Diagnóstico tardio e choque séptico
A gravidade da situação só foi descoberta no dia 23 de novembro, após a realização tardia de exames laboratoriais de sangue e de uma tomografia computadorizada do abdômen. Os resultados confirmaram que a adolescente sofria, na verdade, de apendicite aguda.
A intervenção cirúrgica de emergência foi realizada apenas na madrugada do dia 24 de novembro. Naquele momento crítico, o quadro clínico já havia evoluído para o rompimento do apêndice, gerando uma grave peritonite (inflamação do tecido que reveste a parede abdominal). Devido à demora generalizada para o início do tratamento correto, a jovem não resistiu às complicações gerais e faleceu no dia seguinte, vítima de um choque séptico generalizado.

Acervo probatório e encaminhamento à Justiça
Para embasar o indiciamento coletivo do corpo médico, as autoridades policiais reuniram um robusto conjunto de evidências técnicas, que incluiu:
Análise minuciosa de prontuários médicos de todas as internações;
Depoimentos de familiares e testemunhas;
Laudos e documentos técnicos emitidos por peritos legistas.
As provas coletadas apontaram para sucessivas falhas de conduta e omissão na condução do protocolo de atendimento. Com a conclusão das investigações e a constatação de que exames básicos no início dos sintomas poderiam ter salvado a vida da adolescente, o inquérito policial foi oficialmente remetido ao Poder Judiciário e ao Ministério Público para a abertura da ação penal cabível.

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