Policial

Investigação da Polícia Civil conclui que demora na realização de cesariana de urgência e falhas na condução do atendimento contribuíram para a morte do bebê

A Polícia Civil de Minas Gerais concluiu o inquérito que investigou a  morte de um recém-nascido no Hospital Manoel Gonçalves, em Itaúna, e indiciou dois médicos obstetras por homicídio culposo. Conforme a investigação, a equipe médica deixou de adotar, no momento adequado, as medidas necessárias durante o trabalho de parto, o que resultou na morte do bebê poucas horas após o nascimento.

Investigação aponta demora na realização da cesariana

Segundo a Polícia Civil, a gestante apresentava uma  gravidez de alto risco e permaneceu em trabalho de parto induzido por mais de 12 horas. Durante esse período, familiares solicitaram diversas vezes a realização de uma cesariana. Além disso, a paciente apresentou sinais de sofrimento fetal agudo e líquido amniótico com mecônio esverdeado.

Mesmo diante desse quadro, os médicos mantiveram a condução do parto normal. Como consequência, a criança nasceu em parada cardiorrespiratória causada por asfixia perinatal e morreu poucas horas depois.

Além disso, a perícia e os depoimentos reforçaram que a equipe retardou, sem justificativa técnica, a realização da cesariana de urgência.

Extravio de material dificultou a apuração

Durante as investigações, a Polícia Civil também identificou outro problema. Conforme o inquérito, profissionais descartaram de forma inadequada a placenta da paciente nas dependências do bloco cirúrgico.

Por causa disso, a perícia deixou de realizar o exame anatomopatológico oficial, considerado importante para esclarecer as circunstâncias do caso. Assim, o descarte comprometeu parte da produção de provas.

Ao longo da investigação, a equipe policial ouviu familiares, testemunhas técnicas e profissionais envolvidos no atendimento. Além disso, os investigadores analisaram prontuários médicos, registros da triagem e demais documentos relacionados ao parto.

Após reunir e confrontar todas as informações, a autoridade policial concluiu que havia elementos suficientes para responsabilizar os dois obstetras que atenderam a gestante durante o plantão.

Médicos respondem por homicídio culposo

Com base nas provas reunidas, a Polícia Civil indiciou os dois médicos pelo crime de homicídio culposo, previsto no artigo 121, § 3º, do Código Penal.

De acordo com a corporação, o indiciamento considera, em tese, a inobservância de regra técnica da profissão, decorrente de conduta negligente e imperita.

Cumprimento da lei

Agora, o inquérito seguirá para análise do Ministério Público, que decidirá sobre o eventual oferecimento de denúncia à Justiça.

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